[originalmente publicado por Neil Gaiman em 03/01/2016]

Fui um péssimo blogger nesses últimos três meses. Eu bem que fui péssimo em tudo nos últimos três meses, exceto trocar fraldas, dar banho em bebês, lembrar as letras de cantigas antigas e ajudar a Amanda a dormir o suficiente.

As pessoas me perguntam que tipo de música legal eu tenho escutado recentemente e tudo que consigo lembrar é Mais 50 Canções Infantis Favoritas de Todos os Tempos de Wally Whyton (LP que eu tinha quando era pequeno e agora baixei em MP3) e Cantigas Antigas Inglesas de Ellis/Laycock/banda Broadside (que só posso tocar quando a Amanda não está por perto, embora acalme o bebê que nem mágica). Ninguém parece se interessar nas minhas opiniões sobre fraldas (quando usamos descartáveis, preferimos Andy Pandy bamboo, espera! Volta aqui! Eu costumava ser interessante…) ou roupas de bebê (sou um grande fã da linha de roupas magnéticas da Magnificent Clothes, que te permitem levantar no meio da noite e trocar fraldas sem nem mesmo acordar o suficiente para lidar com coisas complicadas como botões e velcro) ou….

Assim. Sem cérebro. Eu soo como uma propaganda ambulante de produtos para bebês. Se respondo meus e-mails, ou termino de ler algo, é motivo de orgulho. O restante do tempo serve para trocar as fraldas do bebê. Ele geralmente parece se divertir com tudo isso.

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Terminei a revisão gigante de um livro que vai ser lançado em maio, chamado THE VIEW FROM THE CHEAP SEATS. É uma coletânea dos meus textos de não-ficção. Não são todos os discursos, introduções e artigos que já escrevi, mas todos os discursos que pareceram importantes, todos os artigos dos quais ainda me orgulho, todas as introduções que parecem ser sobre algo mais do que apenas falar sobre o livro ou autor que as pessoas irão ler. (Kat Howard me ajudou demais: ela consultou os arquivos, leu tudo e fez um inventário inicial com tudo que deveria ser incluído ou não. Depois ela acatou pacientemente toda vez que mudei de ideia ou lembrei de algum texto esquecido).

Estou atrasado três meses em tudo. E estou cozinhando um romance novo, nas profundezas da minha mente, que eu deveria começar semana que vem, mas posso atrasar mais três meses enquanto termino aquilo que as pessoas estão esperando de mim.

Estou arrepiado em saber que as pessoas estão comprando e dizendo coisas boas sobre Sandman: Overture (bit.ly/OvertureDeluxe). Faz oito semanas que ele está no topo da lista da NYT Graphic Novel best-seller, além de ser incluído em várias listas de Melhores do Ano. O consenso parece ser que Overture adicionou algo real à história do Sandman, e acho que não era outra coisa que eu quis com ele, além do prazer de trabalhar com J. H. Williams III.

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Ontem fizemos cinco anos de casamento. Foi um dia tranquilo, cheio de amor. Não precisamos sacrificar o bebê para os Deuses Peixe, ou mandá-lo para o espaço antes da explosão do planeta condenado onde ele mora, numa tentativa de salvá-lo. Estou profundamente agradecido à maravilhosa, brilhante e gentil mãe dele, minha esposa, amiga, companheira e amor. Eu não mudaria nada.

Faz valer a pena todo o sono que perdi.

E pretendo tentar ser um blogger melhor nos próximos meses, e um tweeter, facebooker e tumblrer pior.

Obrigado por estar por perto.

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