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Neil Gaiman Brasil

tradução oficial do blog do autor

FOX IN SOCKS

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 22/04/2019]

Em maio de 2017 aceitei ler o menu do Cheesecake Factory para uma campanha de doações em prol de refugiados. A meta era de 500.000 dólares e quem teve a ideia foi a comediante, escritora e ativista Sara J. Benincasa. As pessoas começaram a doar e nós todos achávamos que o Cheesecake Factory fosse aparecer com a quantia que faltava para fechar a meta, mas aparentemente eles não estavam tão interessados. De qualquer forma, dinheiro suficiente foi arrecadado para outra meta, a de que eu lesse Fox in Socks do Dr. Seuss, o que me dispus feliz a fazer. O problema era… quando?

Praticamente logo depois disso, fui trabalhar em Good Omens e a minha vida foi pausada for dois anos.

Quando voltei da produção de Good Omens, ler Fox in Socks era o item número um da minha lista de coisas por fazer. Felizmente tenho praticado por dois anos, ou, pelo menos, tenho lido para o Ash nesse tempo. Lá vamos nós.

 

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A HISTÓRIA DOS NEILS (COM COMENTÁRIO ADICIONAL)

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 17/05/2017]

(Desde que escrevi isso no Tumblr, esse texto vem sendo republicado em todo canto. As pessoas estão sempre me perguntando se eu disse isso mesmo e se é verdade. Aqui está o original.)

duckswearhats perguntou: Oi, eu li que você já teve síndrome do impostor, e atualmente eu tô sofrendo com o mesmo problema. Tenho uma vida boa, mas os meus amigos estão passando por dificuldades, e tá sendo difícil para mim aceitar o meu sucesso enquanto pessoas maravilhosas estão sofrendo. Queria saber se você tem alguma dica para eu deixar de me sentir assim e talvez ser melhor comigo mesmo, sem magoar ninguém ao meu redor. Eu sei que tô pedindo um grande favor, mas qualquer ajuda pode diminuir o meu estresse.

A melhor ajuda que posso oferecer é te indicar o livro O poder da presença da Amy Cuddy, em que ela fala da síndrome do impostor (me entrevista sobre o assunto) e oferece informações que podem ajudar.

A segunda melhor ajuda pode vir na forma de uma anedota. Alguns anos atrás eu fui sortudo o suficiente para ser convidado para uma reunião de pessoas excelentes: artistas e cientistas, escritores e gente que descobriu coisas. Sentia que a qualquer momento eles iam se dar conta de que eu não era qualificado para estar ali, entre tanta gente que tinha feitos reais.
Na segunda ou terceira noite, eu estava no fundo do salão durante uma apresentação musical, quando comecei a conversar com um senhor muito simpático e educado sobre um monte de coisas, inclusive o nosso nome em comum*. Então ele apontou para as pessoas e disse algo como “Quando vejo essas pessoas, me pergunto o que diabos estou fazendo aqui? Elas fizeram coisas incríveis, enquanto eu só fui para onde me mandaram ir.”

No que respondi com “Certo. Mas você foi a primeira pessoa a ir para a Lua. Isso deve valer alguma coisa.”

E me senti um pouco melhor. Porque se Neil Armstrong pôde se sentir um impostor, talvez todo mundo se sinta também. Talvez não houvesse adultos ali, apenas pessoas que trabalharam duro, foram sortudas, estiveram além do seu limite, todas nós tentando fazer o melhor que poderíamos, o que é na verdade o máximo que se pode almejar.

(Tiramos uma foto maravilhosa com três Neils, mesmo que um de nós tenha sido um Neal http://journal.neilgaiman.com/2012/08/neil-armstrong.html)

*(Lembro de estar lisonjeado e me divertir com o fato dele me conhecer, não porque tenha lido um livro meu, mas porque o algoritmo do Google na época me colocou como o primeiro Neil a aparecer nas buscas. Só digitar Neil te levava para neilgaiman.com. Muita gente, inclusive eu, acredita que se há um Neil número 1 só poder ser ele.)

 

ROBERT E. MCGINNIS E O SEGREDO DA CAPA NOVA

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 27/07/2016]

Faz muito tempo que eu amo as capas ilustradas por Robert McGinnis. Lembro da primeira que vi (era a capa de OS DIAMANTES SÃO ETERNOS do James Bond, por Ian Fleming, quando tinha nove anos. Eles botaram o pôster do filme como capa do livro, o que me confundiu um pouco porque a trama do livro não era a mesma do filme.) Achei que McGinnis tivesse se aposentado há muito, muito tempo atrás.

Mais ou menos um ano atrás, estava conversando com Jennifer Brehl, que é a minha editora na William Morrow, além de uma das melhores, mais sensíveis e sábias pessoas na minha vida. Tenho sorte em tê-la. Estávamos conversando sobre brochuras e como os editores as negligenciam hoje em dia. Eu me empolguei falando sobre como as capas de brochuras costumavam ser lindas, além de serem pintadas, e transmitir tanta coisa. E como sentia falta das capas dos anos 50, 60 e 70, as que eu colecionava e comprava na aurora dos tempos.

De alguma forma a conversa acabou comigo perguntando se a Harper Collins publicaria uma coleção de brochuras dos meus livros com capas gloriosamente retrô e Jennifer respondendo que sim, eles publicariam.

Alguns dias depois, fui à livraria DreamHaven, em Mineápolis, onde notei um livro antigo com uma capa particularmente lindíssima. “Quem fez isso?”, perguntei para Greg Ketter.

“Robert McGinnis”, ele disse. “Na verdade, temos um livro inteiro sobre a arte do McGinnis.” Ele me mostrou The Art of Robert E. McGinnis. É maravilhoso. Aqui está a capa:

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Me surpreendi com o quão recente era o livro, publicado poucos meses antes. “Ah sim”, disse o Greg, “Bob ainda pinta. Ele deve ter quase 90”.

(Ele tinha 90 em fevereiro de 2016)

Mandei um recado para Jennifer perguntando se havia a mínima possibilidade de McGinnis estar interessado em ilustrar as capas que queríamos fazer. Ele disse que sim.

Estou sendo tão desleixado com essa novidade. McGinnis havia sim se aposentado, e nem tem um endereço de e-mail, foi só por que o diretor de arte da Morrow havia trabalhado com ele, e ele ficou perplexo com a comissão e…  ROBERT MCGINNIS DISSE QUE SIM.

Ele enviou a primeira ilustração, a de Deuses americanos. É tão perfeita. Agora precisávamos fazer tudo certo com o resto da capa.

Todd Klein, o melhor letrista dos quadrinhos, se juntou a nós para criar a logotipo de cada livro, escolher as fontes e ajudar no design, para fazer com que cada livro pareça ter vindo de uma época específica.

Cada ilustração de McGinnis é melhor do que a anterior. Cada logo e layout de Todd Klein são mais acertados e precisos. Isso tudo é glorioso.

Agora… planejávamos anunciar isso de uma maneira bem mais planejada e organizada. Não vou contar a vocês que livros estamos fazendo, nem mostrar as capas, exceto essa.

Acontece que a série de Deuses americanos da Starz, que está por vir em 2017, criou uma demanda imensa por exemplares de Deuses americanos. Pessoas que nunca leram começaram a comprar para entender do que se trata todo o burburinho. Pessoas que leram há muito tempo atrás e se desfizeram de seus exemplares estão comprando novos para poder reler.

Os livros ficaram esgotados nas editoras.

Então eles correram para publicar a nova edição, que era para sair daqui a alguns meses (o texto é o da edição preferida do autor, caso você esteja se perguntando).

Isso significa que a brochura com a capa nova será lançada bem antes do que era pretendido. E provavelmente já estará na Amazon amanhã.

E eu queria que vocês soubessem primeiro por mim. Vai demorar um pouco até vocês conhecerem as outras capas feitas pelo Robert E. McGinnis (e cada uma delas parece um tipo diferente de livro de uma época diferente). Mas essa é a primeira delas.

Eu e Todd achamos que essa é provavelmente de 1971…

Estão prontos?

 

 

 

 

 

 

 

Certo…

 

 

Aqui vai…

 

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…espere até ver o resto delas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O PRIMEIRO TRAILER DE DEUSES AMERICANOS

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 24/06/2016]

Acabo de voltar da Comic-Con, em San Diego, mas não estive realmente na Comic-Con. Ao invés, das 8 da manhã até às 11 da noite eu fui entrevistado, fotografado, questionado, transportado de lá pra cá em people movers pretos e profissionais. Me apaixonei com o elenco de Deuses Americanos – já havia conhecido alguns atores em Toronto, mas agora pude conhecer melhor as pessoas adoráveis que interpretam Shadow,  Wednesday, Bilquis, Mad Sweeney e o Garoto da técnica, além de ganhar um abraço da recém-chegada Easter.

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Um elenco muito bobo e adorável: em sentido horário, da esquerda inferior, Yetide Badaki (Bilquis),  Pablo Schrieber (Mad Sweeney), Ricky Whittle (Shadow), Bruce Langley (o Garoto da técnica) e Ian McShane (Wednesday).

Esse foi o meu momento favorito: estava no iate do IMDB para ser entrevistado pelo Kevin Smith e, antes da entrevista começar, eles apontaram para uma cama imensa e muito branca e me disseram para fazer aquilo que me deixava mais feliz na cama. Então eu peguei o meu caderno e comecei a ler…

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Terminei o último rascunho de todos os seis roteiros de GOOD OMENS no dia anterior à Comic-Con. Esse era realmente o maior projeto que faltava concluir antes de começar a escrever o romance. O que significa que devo começar a escrever em breve…

DOUTOR DOUTOR

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 22/06/2016]

Ontem fiz duas coisas que nunca tinha feito antes: usar uma gravata borboleta branca e receber um título de doutor honoris causa em Literatura, pela Universidade de St. Andrews. Foi um dia maravilhoso com pessoas realmente legais. Se eu não tivesse a Amanda e o Ash comigo, tinha nosso amigo Chris Cunningham e, mais ou menos por coincidência, meus primos Abigail e Kezia. E foram tantas conversas ótimas, também.

Esse é o discurso de Chris Jones (embora não dê para escutá-lo Fazendos As Vozes na parte sobre Good Omens): http://linkis.com/www.st-andrews.ac.uk/SQ7bu

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Estou digitando isso no aeroporto de Edinburgh – vou para NY, onde aparecei no programa de Seth Meyers, quinta à noite.

(Faz 15 anos que estou fora do Reino Unido, tempo suficiente para eles te tomarem o voto, então não posso votar. Se pudesse, votaria em Permanecer.)

Mil felicitações para Chris Riddell, que ganhou a medalha Kate Greenaway pelo nosso livro A bela e a adormecida. Isso não é maravilhoso?

Uma pergunta e uma resposta do Tumblr que pode ser útil para todo mundo:

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Então, eu realmente quero voltar a escrever, mas faz 5 anos que não consigo.
Você tem algum tipo de sugestão ou conselho?

Tenha um tempo para escrever que seja só para escrever. Esqueça o seu celular. Desligue ou desative o seu wi-fi. Escreva à mão se quiser. Coloque um aviso de “não perturbe” na porta. E faça o seu tempo para escrever sagrado e inviolável.

Durante esse tempo, o trato é o seguinte: você pode escrever ou pode não fazer nada. Não fazer nada é permitido (não fazer nada inclui: olhar pras paredes, pelas janelas, pensar nos problemas, olhar pras mãos. O que não inclui: organizar a prateleira de temperos em ordem alfabética, checar o Tumblr, desmontar uma caneta, jogar paciência, abrir um programa de limpeza no seu computador.)

Você é quem escolhe o seu tempo de escrever por dia. Uma hora? Duas? Três? Você quem manda.

Fazer nada chega a ser bem chato. Então você pode escrever (se você escrever 300 palavras, uma página, todo dia, você terá um romance de 90.000 palavras em um ano.)

PRELÚDIO PARA UM SUMIÇO DISCRETO SILENCIOSO

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 15/06/2016]

Meus planos para o resto do ano são basicamente terminar o último roteiro de Good Omens e depois escrever um romance.

Vou dar uma entrevista sobre o THE VIEW FROM THE CHEAP SEATS para a televisão.

Também estou fazendo algumas aparições misteriosas na série televisa de American Gods.

Não vou desaparecer totalmente das mídias sociais, mas provavelmente estarei bastante sumido, vivendo em um livro que no momento ainda não existe senão nas anotações e ideias esquisitas na minha cabeça.

 

Como uma regra geral, quando eu deixar as redes sociais, escreverei um pouco mais no blog, então venha espiar aqui de vez em quando. Vem vindo coisas super legais esse ano e eu seria um idiota se não compartilhasse elas com vocês…

Por exemplo, sobre que diabos é essa foto?

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Quem são essas pessoas? E o que isso tem a ver com Lugar nenhum?

Tudo o que o site da BBC nos diz é

…estamos arrepiadas em saber que, ainda esse ano, o temerário Marquis de Caravas nos guiará em uma breve viagem de volta para a terra de Londres Debaixo.

Esperamos altas aventuras e um passeio arrepiante com personagens novíssimos, além dos antigos e queridos.

…o que é definitivamente interessante e precisará ser anunciado. Também precisará ser anunciada a incrível nova edição britânica de Lugar Nenhum, com ilustrações de Chris Riddel: Nunca vi nada parecido antes.

Essa é uma foto de Chris e a capa do livro cobrindo um livro totalmente diferente, só para parecer o livro de verdade.

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E tem também essa coisa maravilhosa e secreta que estamos fazendo com as capas da edições americanas, o que me agrada bastante. Você saberá sobre isso aqui, mas tenho certeza que também vou falar sobre no Facebook e no Twitter.

 

E também devo anunciar o livro que terminei mês passado… Isso acontecerá logo. É excitante.

 

Então, basicamente estou por aí por mais uma semana.

 

Espere por um sumiço vago. E um retorno eventual. E interrupções para notícias.

Mas em geral estou planejando ser discreto na internet e viver na minha cabeça para poder transmitir, de lugares estranhos e sombrios, os feitos notáveis de certas pessoas peculiares.

 

A VISTA E O PLANO

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 31/05/2016]

Estamos na casa antiga, antiga, de um amigo. Amanda está gravando no estúdio que fica no porão, enquanto eu escrevo e Ash dorme na cadeira ao meu lado. A chuva açoita as janelas, o vento balança as venezianas e, até onde eu sei, parece um legítimo verão inglês.

Hoje é o dia do lançamento de THE VIEW FROM THE CHEAP SEATS [“A vista dos assentos baratos”], minha coleção de não-ficção, ensaios, discursos e introduções. Ela está disponível e é assim que se parece:

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Ou assim:

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Dependendo de onde você está, se no Reino Unido ou nos EUA. Algumas livrarias independentes nos EUA têm exemplares autografados e carimbados em marca d’água. (Aqui está o link com todas as lojas onde eles estão: https://www.facebook.com/WmMorrowbks/posts/1017987604950366). E algumas livrarias no Reino Unido têm exemplares autografados (Eu não tenho uma lista. Você pode começar a procurar nas várias Blackwells e Waterstones)

Hoje à noite, horário britânico – em algumas horas –, estarei conversando com Audrey Niffenegger sobre o meu livro na Union Chapel. Os ingressos estão definitivamente esgotados, mas você pode assistir online pelo link abaixo (que te levará ao livestream.)

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Em comemoração do lançamento de The View from the Cheap Seats, você está convidado para uma noite com Neil Gaiman e Audrey Niffenegger.

Você pode comprar o livro online pela Amazon (http://bit.ly/VfCheapSeats) ou pela Indiebound.

Maria Popova da Brainpickings escreveu um texto lindo sobre a minha introdução à edição do 60º aniversário do Fahrenheit 451, do Ray Bradbury, que faz parte do livro.

Há outros reviews por aí. Aqui está uma parte do review que saiu na NPR:

É considerável, entretanto, o que o livro consegue. Dividido em seções – “No que acredito”, “Música e as pessoas que fazem música”, “Algumas pessoas que conheci”, “Faça boa arte”, e outras – as reflexões de Gaiman brilham com astúcia, humildade e uma cordial falta de pretensão. Ele fala em “embaraçosamente se distanciar do jornalismo” na juventude, sobre o primeiro passo na metamorfose que o levou a autor de fantasia premiado e cultuado e reflete sobre os padrões que surgem na vida: “Eventos rimam”.
Da mesma forma, o livro delineia ordem a partir do aparente caos da carreira versátil de Gaiman, que foi do jornalismo para os quadrinhos, dos romances para a literatura infantil e, enfim, para os roteiros adaptados. O autor fala sobre a sua vida, mas sempre sob uma ótica externa, geralmente um objeto de paixão: os quadrinhos de super-heróis do lendário Jack Kirby, as músicas transgressivas de Lou Reed, “a forma aparente da realidade – o modo como percebo o mundo – só existe por causa de Doctor Who”. Isso foi escrito em 2003, antes de Gaiman escrever um roteiro para a série. De modo semelhante, as muitas ruminações sobre American Gods, seu maior trabalho em prosa, em maior ressonância agora que o livro está prestes a se tornar uma série da TV paga.
Gaiman é sobretudo um escritor e o ápice do livro está nos seus comentários sobre ler e escrever. Eles variam do profundamente pessoal, estranho e pungente “Fantasmas nas máquinas: Alguns pensamentos de Halloween”, publicado originalmente no New York Times, para uma apreciação do elemento do sonho na obra de H. P. Lovecraft – um tópico particularmente esclarecedor, desde que um dos mais estimados personagens de Gaiman, o Morfeus de Sandman, é a própria divindade dos sonhos. Ainda mais intrigante é “Todos os livros têm gênero”, uma nota sobre a composição de American Gods. Há também uma humilde avaliação sobre suas falhas autorais, ensaio em que oferece o sucinto slogan “romances acumulam” – duas palavras que resumem destramente uma master class inteira sobre o processo criativo.

É um alívio ter o livro publicado. Não acho que eu tenha ficado tão nervoso sobre o lançamento de um livro como fiquei com esse. Você pode se esconder atrás da ficção, mas não pode se esconder atrás do que acredita ou opina.

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“[Essa playlist] ou é deliberadamente eclética, ou simplesmente é uma bagunça. Assim como o livro.”              – Onde está Neil quando você precisa dele?            A playlist de Neil Gaiman para The View From the Cheap Seats.

 

Montei uma playlist para o livro na Powells: http://www.powells.com/post/playlist/wheres-neil-when-you-need-him-neil-gaimans-playlist-for-the-view-from-the-cheap-seats- que estou ouvindo no momento, com muito prazer, pelo Spotify.

Na Sky Arts, dois dos quatro episódios de Neil Gaiman’s Likely Stories estão no ar. (Aqui tem um review sobre eles) Se você tiver uma conta na Sky, pode assisti-los online ou baixa-los em https://www.sky.com/watch/channel/sky-arts/neil-gaimans-likely-stories. Não, eu não sei como você pode assistir legalmente fora do Reino Unido. Digo quando souber como.

É a metade do ano. Vou diminuir bastante a minha presença online, o que significa que vou postar mais no blog do que no twitter/facebook/tumblr etc. As coisas que eu tinha pra fazer estão sendo feitas uma por uma e eu estou me preparando para escrever um romance. Está aqui na minha cabeça, é algo grandioso…

E se eu não estiver escrevendo, provavelmente estarei brincando com ele:

(Uma foto em que Ash NÃO sorri como bônus, porque as pessoas insistem em perguntar se ele para de ser feliz em algum momento. Ele está feliz na maior parte do tempo, mas aqui fica uma foto em que ele parece pensativo.)

CONCLUINDO COISAS

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 16/05/2016]

É 2016, um ano de escrever. Na sexta, terminei um livro em que estive trabalhando desde 2013 (você vai descobrir o que é em algum momento dos próximos meses, eu juro). Amanhã vou terminar a introdução. O mundo parece um pouco mais leve.

O livro que terminei não é a grande coisa que tenho que fazer esse ano – acho que vou cair fora completamente do mundo para fazer isso, logo logo. Apesar de tudo, é algo de que me orgulho bastante.

É muito bom não ter que fazer muita coisa além de escrever.

Tendo dito isso, THE VIEW FROM THE CHEAP SEATS, minha imensa coleção de não-ficção, ensaios, discursos e coisa do tipo, está saindo e estou até fazendo um evento para ele: http://store.unionchapel.org.uk/events/31-may-16-an-evening-with-neil-gaiman–audrey-niffenegger-union-chapel/

Eu realmente não deveria estar fazendo evento nenhum esse ano, embora esteja fazendo uma coisa ou outra que teve que ser adiada no ano passado quando eu voei repentinamente para os EUA, para estar com um amigo no leito de morte.*

(Ah, as coisas que eu tive que recusar.) Mas estou fazendo esse único evento para o CHEAP SEATS, no UK. Quando chegarmos mais perto devo anunciar como será transmitido, etc.

Ele é descrito como:

Para comemorar a publicação do livro de não-ficção de Neil Gaiman, The View from the Cheap Seats, o premiado autor vai se juntar a Audrey Niffenegger, a autora best-seller de A mulher do viajante do tempo, em um raro evento público em Londres. A Union Chapel, em Islington, acolherá esses dois pesos pesados da literatura enquanto discutem o trabalho mais recente de Gaiman – louvado por Stephen Fry como “magnífico” –, dentre uma miríade de outros assuntos que certamente agradará aos fãs – com algumas surpresas na loja também…

Os ingressos custam £20 cada e incluem um exemplar autografado de The view from the Cheap Seats, que será entregue na noite de cortesia da Waterstones. O evento será transmitido ao vivo para todo o mundo pelo YouTube, Facebook e Twitter, de modo que fãs impossibilitados de comparecer possam participar também desse momento único e especial. Além disso, Gaiman e Niffenegger estarão respondendo perguntas da audiência, tanto de dentro da Union Chapel, quanto de expectadores em casa ou em livrarias que transmitirão o evento.

Ainda há alguns lugares vagos, mas não muitos. Compre em http://store.unionchapel.org.uk/events/31-may-16-an-evening-with-neil-gaiman–audrey-niffenegger-union-chapel/

Esse é o primeiro exemplar que chegou na minha casa, uns dois dias atrás. Vou dar ele como um presente de formatura para Maddy Gaiman, que tinha cerca de 6 anos quando esse blog começou e tem agora 21. Ela se agraduou hoje em Wake Forest.

A lei de Gaiman permanece: quando eu abri a caixa pela primeira vez, vi um erro tipográfico e o meu coração teve um sobressalto. Mas não achei nenhum outro.

Ash está com seu primeiro dente. Ele é só alegria, o tempo inteiro. Foi um prazer especial vê-lo com seu irmão e irmãs nesse fim de semana.

Pensei em postar algumas fotos da Maddy formanda, mas ao invés disso preferi linkar essa página dela em 2007, com 12 anos de idade, no set de Hellboy 2. Ela invadiu o blog e postou as fotos sozinha. http://journal.neilgaiman.com/2007/06/photos-yippeeeeeeeeeeeeeee.html

Nova anos se passaram desde essa postagem e parece que foi ontem.

E em 26 de maio, às 9 da noite, começa LIKELY STORIES no Sky Arts. Quatro episódios baseados em contos meus, dirigidos por Ian Forsyth e Jane Pollock, com trilha sonora original de Jarvis Cocker. Veja o trailer:

Uma das coisas que tive que adiar foi receber o título de doutor honoris causa na Universidade de St. Andrews, o que vai acontecer esse ano. Estou ansioso. https://www.st-andrews.ac.uk/news/archive/2016/title,496871,en.php

 

GOOD OMENS, CHEAP SEATS E A CERIMÔNIA MEMORIAL

[originalmente publicado por Neil Gaiman em 16/04/2016]

Não tenho atualizado o blog há muito tempo, mas agora estou num trem e parece uma ótima hora para fazer isso. Hoje de manhã fui entrevistado por Charlie Russell para o documentário que ele está fazendo sobre Terry Pratchett. (Charlie fez os documentários sobre Terry Pratchett da BBC, Living With Alzheimer’s, Choosing to Die e Facing Extinction.)

Fizemos a entrevista em um restaurante chinês na rua Gerrard porque o meu primeiro encontro com Terry foi em um restaurante chinês, em fevereiro de 1985. Estava sendo fácil e agradável e, de repente, não era mais. Eu falava sobre a última vez que vi Terry, sobre o que conversamos, e eu me vi chorando incontrolavelmente, sem conseguir falar. Então me recompus e nós continuamos.

“Olha, isso não é nada profissional”, Charlie me disse quando a entrevista acabou, “e eu nunca disse isso para ninguém que eu entrevistei antes, mas você gostaria de um abraço?”. Eu disse que sim, que gostaria.

Ainda estou um pouco abalado. É como se toda a emoção que eu mantive controlada para a cerimônia pública do Terry, para o Terry como pessoa pública, na outra noite, entrou em erupção quando eu falei sobre as pessoas que éramos na vida privada.

A cerimônia, na outra noite, foi linda. Eu vesti meu fraque de luto que Kambriel fez pra mim e saí, à tarde, para comprar uma camisa branca e uma gravata preta. (Na verdade, comprei quatro camisas, o que, considerando o quanto eu visto camisas brancas, devem me servir até o fim da vida.)

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Li a introdução de A Slip of the Keyboard, que escrevi para Terry quando ele estava vivo. Fiquei triste no final, mas tudo bem. E me contive perfeitamente quando Rob, que é o incrível mão-direita de Terry, me deu de presente um chapéu de escritor, preto e enorme, que Terry tinha deixado para mim. Mas não pude colocá-lo na hora, não estava preparado. (Experimentei o chapéu depois, no vestiário. Na minha opinião eu parecia um cowboy rabínico assassino. Não que haja algo errado com isso.)

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No fim da noite, Rob anunciou as novidades por vir e uma delas foi o filme de GOOD OMENS, escrito por mim. (Aliás, houve uma pequena confusão na maneira como ele anunciou isso, porque Rob estava falando, antes, sobre as cartas que Terry nos deixou, encontradas no cofre, e a pessoas entenderam que o Terry me pediu pra escrever o filme do além-túmulo. Na verdade, foi mais como um último pedido em vida.) (“Eu gostaria muito que isso acontecesse e eu sei, Neil, que você é um homem muito, muito ocupado, mas ninguém poderia fazer isso com a paixão que nós temos pela garota velha. Eu queria estar mais envolvido e pretendo ajudar em qualquer maneira que puder” ele escreveu depois que aceitei.)

Estive trabalhando no roteiro de Good Omens na maior parte do ano passado, desejando que ele estivesse aqui, nem que fosse só para atender o telefone. É difícil quando tenho um bloqueio e quero pedir um conselho a ele. É mais difícil ainda quando invento algo esperto ou engraçado e quero ligar e ler pra ele, e fazer ele rir ou ouvir ele apontar algum deslize meu. Nenhum de nós tinha a menor ideia se iríamos conseguir vender esse livro esquisito ou não, quando o estávamos escrevendo, mas sabíamos que podíamos fazer o outro rir. De qualquer forma, estou agora com 72% do roteiro pronto e já posso vislumbrar o final.

Minha meta é terminar o roteiro antes do lançamento do THE VIEW FROM THE CHEAP SEATS, meu livro de textos de não-ficção selecionados, que vai sair nos EUA e em UK no dia 31 de maio. Existem duas capas diferentes. A americana me mostra sentado, refletindo, em um teatro carcomido, a britânica me mostra com o cabelo esvoaçando ao vento e uma explosão de engrenagens saindo da minha cabeça. Ambas parecem bem certeiras, principalmente a explosão de engrenagens.

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(link da Amazon americana: http://bit.ly/VfCheapSeats, link e resenha da B&N: http://www.barnesandnoble.com/blog/sci-fi-fantasy/the-view-from-the-cheap-seats-offers-a-revealing-look-into-the-corners-of-neil-gaimans-mind/ e o link da livraria independente IndieBound: http://www.indiebound.org/book/9780062262264)

Eu estava, e ainda estou, receoso sobre soltar no mundo um livro de não-ficção. Não tenho receio em publicar ficção, mas tem uma parte de mim que se pergunta se tenho algum direito de balbuciar em público sobre o que acredito, o que espero e o que me preocupa, que se pergunta se alguém estaria interessado em ensaios sobre livros que, parece, (em alguns casos) ninguém se importa além de mim, ou sobre a situação dos quadrinhos em 1993, ou sobre como escrever uma resenha de um livro que você descobriu, quando o prazo final chegou, que perdeu. Mas algumas das primeiras resenhas parecem bem generosas, e o pequeno grupo de pessoas para quem eu enviei o livro me disse coisas gentis sobre ele (e todas elas me escreveram para me dar certeza que realmente leram e gostaram tanto quanto disseram gostar). Vai ter um evento para o lançamento do livro em UK que nós vamos disponibilizar ao vivo, então vai ser um evento online à tarde, ou no fim da manhã, nos EUA.

Gravei o audiobook quando estávamos em Santa Fé. Nunca gravei um livro de não-ficção em audiobook antes e estava incerto sobre o que fazer quando cheguei às entrevistas que fiz com Stephen King e Lou Reed, então dei o meu melhor.

Nós passamos o fim do inverno em Santa Fé. É uma cidade pequena e linda onde parte da família da Amanda mora, que é motivo pelo qual estávamos lá e não em outro lugar, e onde tenho amigos. (Almocei com George R R Martin. Disse a ele, soltando um suspiro: “Tão dizendo na internet que estou aqui para escrever o seu livro pra você”. Ele achou muito mais engraçado do que eu.)

Fomos à Meow Wolf, que é um antigo boliche em Santa Fé, onde hoje fica uma casa na Califórnia em que um evento causou distúrbios no tempo e espaço, levando a outras dimensões. É uma mistura louca e gloriosa de arte, estórias e Disneylândia e, se você estiver no sudoeste dos Estados Unidos, deveria visitar.

Ash cresceu. Faz sete meses hoje. Ele é o bebê mais doce, mais fofo. Ele sorri e é engraçado. Estou em Londres essa semana e sinto a falta dele.

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Nossa amiga Prune, que é francesa, disse que ele é como um “bebê que se exibiria em uma loja, se você quisesse comprar um bebê”.

“Você quer dizer, um modelo de vitrine?”

“Exatamente. O bebê modelo de vitrine”.

Eu o amo tanto. Ele gosta de música e estória, e também gosta de livros.

Aqui está uma foto dele gostando de um livro. (O livro de O dia de Chu foi um presente da minha agente, que achou engraçado eu não ter pensando em dar a ele um dos meus livros. Então, ela deu.)

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Ele gosta quando eu finjo um espirro.

Aqui está um vídeo dele de umas duas semanas atrás, vestindo o cardigan que Delia Sherman fez pra ele.

 

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